Ementa
Há muito a pluralidade das matrizes de religião cristã protestante no Brasil vem procurando ensinar modelos eficazes de práxis política. Como demonstram os dados do Instituto Brasileiro de Informação e Estatística (IBGE), as próximas eleições brasileiras têm como maioria proporcional de pessoas eleitoras, as mulheres negras evangélicas. Esta é a inteligência extremamente capaz de transformar o país, mulheres negras evangélicas, que nos toca na reflexão do campo empírico do curso. A formação de redes locais de apoio e de solidariedade, a presença nas zonas de conflito exposto e entre as coletividades vulneráveis, a compreensão da singularidade das minorias e da potência das maiorias marginalizadas, o entendimento do papel da mídia na velocidade do cotidiano e a formação de autoridades epistêmicas distribuídas, todo este quadro racional de elaboração diária de pensamentos constitui um território epistêmico ampliado de afeto e de ressignificação da existência diante das desigualdades do mundo socioeconômico. Da religião científica (o positivismo) como inimiga da “ciência da religião” (o logos da comunidade primitiva local) à incapacidade de estruturação do comum religioso na esfera social, a dialética antitética das manifestações de credo rompeu com uma hermenêutica do mundo das vivências, interpretação fundamental para compreender como a estrutura biológica gregária humana tende a fundar seus laços de sobrevivência na guerra e na paz. O curso se propõe discutir a comunidade, a autoridade e a verdade a partir da posição informacional da diversidade de discursos epistêmicos da crítica protestante brasileira ao mundo que a ignora ou a oprime, procurando contribuir para a análise da ruptura com o mito de formação religiosa da política, que estabelece, pela via da crítica socioinformacional, Deus como um “fora” (alien) da política e da esfera informacional (como se Deus estivesse aquém ou além da inteligência artificial generativa, por exemplo, e não no coração desta, ou como se Deus se apresentasse não como motor da desconstrução da alienação - da produção de pessoas e suas redes de afeto fora da vida pública). Palavras-chave: Comunidade. Comum. Autoridade epistêmica. Autoridade epistêmica distribuída. Verdade. Diversidade de crenças. Culturas cristãs protestantes.
Módulos I - Do comum global, entre a rua do bairro e o pavilhão do presídio; II - Autoridades epistêmicas, da ciência à religião protestante positivista sociológica à política da fé através do afeto; III - Verdade e realidade na esfera protestante brasileira; IV - A pluralidade da práxis das comunidades protestantes no Brasil; V - O ethos, o pathos e o logos do trabalho religioso dialético VI Ética cristã primitiva e o espírito do comunismo
Bibliografia indicativa
AGAMBEN, Giorgio. A comunidade que vem. Belo Horizonte : Autêntica, 2013.
ARAÚJO, Victor, 2023. Surgimento, trajetória e expansão das igrejas evangélicas no território brasileiro ao longo do último século (1920-2019). Nota Técnica do Centro de Estudos da Metrópole, Universidade de São Paulo, 17 maio 2023. DOI: 10.55881/CEM.doc.NTe020
ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo: antissemitismo, imperialismo e totalitarismo. São Paulo: Cia das Letras, 2012. BENJAMIN, Walter. Escritos sobre mito e linguagem. São Paulo: Duas Cidades, Editora 34, 2013.
BENJAMIN, Walter. Narrador; considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras escolhidas. v. 1. São Paulo: Brasiliense, 1985.
DÉBRAY, Régis. Deus, um itinerário: material para a história do eterno no Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
FIGUEIREDO, Márcia Feijão de; ZATTAR, Marianna. Autoridades cognitivas versus autoridades eclesiásticas e espirituais: as comunidades evangélicas brasileiras e a desinformação. Liinc em Revista, Rio de Janeiro, v. 19, n. 2, p. e6628, 2023. DOI: 10.18617/liinc.v19i2.6628 . Disponível em: https://revista.ibict.br/liinc/article/view/6628 . Acesso em: 3 abr. 2024.
FROEHLICH, Thomas. The role of pseudo-cognitive authorities and self-deception in the dissemination of fake news. Open Information Science online, v. 3, n. 1, p. 115-136, 2019. Disponible at: https://doi.org/10.1515/opis-2019-0009 . Acess to: 03 abr. 2024.
FROELICH, Thomas J. A Not-So-Brief Account of Current Information Ethics: The Ethics of Ignorance, Missing Information, Misinformation, Disinformation and Other Forms of Deception or Incompetence. BiD: textos universitaris de biblioteconomia i documentación, n. 39, Dezembro 2017. Disponível em: http://bid.ub.edu/en/39/froehlich.htm Acesso em: 01 abr. 2024.
GONZÁLEZ DE GÓMEZ, Maria Nélida. Novas configurações do conhecimento e validade da informação. VIII ENANCIB - Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, 28 a 31 de outubro de 2007, Salvador, Bahia, 2007. Anais… Salvador: UFBA, 2007.
GONZÁLEZ DE GÓMEZ, Maria Nélida. Orientações contemporâneas da Ciência da Informação: vinculações com a epistemologia social. Museologia & Interdisciplinaridade, Brasília, v. 11, no. 22, p. 179-198, 2022.
SAID, Edward W. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia de Bolso, 2007a.
SAID, Edward W. Humanismo e crítica democrática. São Paulo: Companhia das Letras, 2007b.
TODOROV, Tzvetan. A vida em comum: ensaio de antropologia geral. São Paulo: Editora Unesp, 2014. ŽIŽEK, Slavoj. A atualidade do Manifesto Comunista. Petrópolis: Vozes, 2021.
Ministrado em 16/08/2024Curso presencial, no auditório do 6º andar do prédio do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas – CBPF (R. Dr. Xavier Sigaud, 150 - Urca).
Docentes
MARIA NELIDA GONZALEZ DE GOMEZ
Formada em Filosofia, na Universidad Nacional de Rosario, Argentina, exerceu durante muitos anos à docência em Filosofia, na Argentina (Faculdades de Filosofia e de Direito, em Rosario e em Buenos Aires, em diferentes períodos e status acadêmico) e em Porto Rico (Colegio Regional de Arecibo, 1967-1970), Mestre em Ciência da Informação (IBICT-UFRJ) e o doutora em Comunicação (UFRJ). É pesquisadora titular aposentada do IBICT e docente permanente do PPGCI/Ibict.
GUSTAVO SILVA SALDANHA
Pesquisador titular (2013-) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e docente permanente do PPGCI IBICT (2013-); professor associado da Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) (2009-). Bolsista de Produtividade 2 do CNPq (com projetos financiados pelas chamadas dos ciclos 2014-2016; 2017-2019; 2020-2022; 2023-2025). Membro eleito do Conselho Técnico-Científico (CTC) do IBICT MCTI (2023-). Bacharel em Biblioteconomia pela Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) (2006); Mestre em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Ciência da Informação da UFMG (2008); especialista em Filosofia Medieval pela Faculdade São Bento do Rio de Janeiro (2009); Doutor em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do acordo de cooperação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - PPGCI IBICT UFRJ (2012). Realizou, sob o fomento da Capes, o estágio pós-doutoral na Université Toulouse III Paul Sabatier, Toulouse, França (2017-2018). É membro, desde 2008, da Rede Franco-Brasileira de Pesquisadores em Mediação e Usos Sociais dos Saberes e da Informação (Rede Mussi); desde 2016, do Círculo Iberoamericano de Ciencia de la Información Documental (Ciibercid); desde 2017, da equipe de pesquisadores Médiations en information et communication spécialisée do Laboratoire d'Études et de Recherches Appliquées en Sciences Sociales (Lerass) da Université Toulouse III Paul Sabatier, França; e, desde 2014, do International Center for Information Ethics (Icie); da Rede Transamazônica de Cooperação em Informação e Conhecimento para o Desenvolvimento Sustentável (RTCIC-DS). É co-fundador do Fórum Internacional A Arte da Bibliografia (2014-), do Fórum de Estudos Críticos da Informação (iKritika) (2013-), do Círculo de Estudos Roubakinianos (Cerub) (2021-). Atua como gestor da Divisão de Editoração Científica do IBICT (DIECI IBICT) (2023-) e editor-chefe da Editora Ibict (2023-). É editor executivo do periódico científico Liinc (2018-) e do periódico International Review of Information Ethics (Irie) (2023-). Membro do Conselho Editorial da Revista do Livro da Fundação Biblioteca Nacional (2024-2026) e do Brazilian Journal of Information Science: research trends (Brajis) (2020-). Atuou como representante do IBICT MCTI no Câmara de Conteúdos e Bens Culturais do Comitê Gestor da Internet Brasil (CGI.br) nas reuniões do ciclo de atuação do CGI.Br 2023 e 2024. Atuou como coordenador da unidade de Ensino e Pesquisa, Ciência e Tecnologia da Informação (Coepi) do IBICT (gestão 2019-2022); como coordenador do PPGCI IBICT UFRJ (gestões 2019-2020; 2021-2022); como vice-presidente da International Society for Studies of Information (IS4SI) (gestão 2022-2023); como bolsista Jovem Cientista do Nosso Estado Faperj (2019-2022). Foi idealizador e editor executivo da Coleção PPGCI 50 anos IBICT UFRJ UNESCO Nyota (2020-2022). Atuou como docente permanente no e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia (UNIRIO) (2011-2022). Foi vice-coordenador do Grupo de Trabalho 1 (Estudos históricos e epistemológicos da Ciência da Informação) da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB) na gestão 2015-2016. Atuou como bibliotecário da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) (2006-2009) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2010-2012).
MARIANA ZATTAR
Graduação em Biblioteconomia, mestrado e doutorado em Ciência da Informação Gustavo Saldanha, graduação em Biblioteconomia, mestrado e doutorado em Ciência da Informação
MÁRCIA FIGUEIREDO
Graduação em Biblioteconomia, mestrado e doutorado em Ciência da Informação.
Este curso faz parte do evento Escola de Inverno 2024